quarta-feira, 31 de maio de 2017

FRANCISCO, CAMINHO E SONHO


O autor desta obra diz: “São Francisco, quando eu escrevi as páginas deste livro, e mesmo agora, tantos anos depois, é para mim o homem que caminhou através da porta estreita de sua cidade, deixando para trás posses, mãe, pai, amigos e parentes, e começou a viver no meio de leprosos uma vida livre e desprendida que transformou o pântano fétido abaixo de Assis em um novo Éden, um paraíso de amor cristão. Esta imagem tem permanecido comigo, e esta imagem fez deste livro para mim uma alegria em escrevê-lo. (...).

    Hoje, quando você caminha pelo interior da Úmbria, a paz de São Francisco infiltra na sua alma, e você começa novamente a acreditar que a perfeita alegria é possível, mesmo para homens e mulheres modernos, nos mesmos termos em que São Francisco a conquistou.  A maior parte consideraria esses termos muito elevados: Francisco conquistou a alegria através do perfeito desapego. O que vem a seguir é o relato de um peregrino sobre o que o desapego envolveu. A história começa e termina com a morte de Francisco. Tudo nesse intervalo são lembranças e consequentemente, os incidentes são fragmentados e fora de linha contínua da narrativa. Sua unificação é, eu espero, o próprio Francisco”.
Tudo isto  está na simpática obra: FRANCISCO, A caminhada e o sonho, de Murray Bodo, CFFB, Petrópolis,2004. Leiam!

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 16 de maio de 2017

Francisco e o irmão corpo


Frei Vitório Mazzuco

Conta Tomás de Celano: “Disse também uma vez o santo: ”Deve-se prover o irmão corpo com discernimento, para que ele não provoque a tempestade da tristeza. Seja-lhe tirada a ocasião de murmurar, para que ele não fique entediado de vigiar e de perseverar reverentemente em oração. Ele, pois diria: “Morro de fome”, não consigo carregar o peso de teu exercício. Depois de ter devorado suficiente ração, se ele resmungar tais coisas, sabei que o jumento preguiçoso precisa se esporas, e o burrinho indolente espera chicote” “ ( 2Cel 129 ).

Hoje muita gente quer moldar o corpo com exercícios e dietas. Nas academias os horários estão cheios com pontuais exercícios. Nos bosques e logradouros próprios para isso, caminhadas e corridas. Suplementos vitamínicos. A vida é fit, o alimento é fit, a mística é fitness. Para se chegar a medida certa acontecem acertos e exageros. Será que forçar o corpo além das suas possibilidades é sadio? Fazer dieta é não comer, ou saber comer? É preciso escutar o corpo que clama como no texto acima: ”não consigo carregar o peso de teu exercício!”.  Claro que o corpo tem que ser domado como o texto acentua: “o jumento preguiçoso precisa de esporas”. Mas atenção a medida certa! Nem demais, nem de menos. A fala de São Francisco, segundo Tomás de Celano é clara: “Deve-se prover o irmão corpo com discernimento para que ele não provoque a tempestade da tristeza”. 

Mas o texto acima, falando do corpo chama a atenção também para exercitar-se na oração. Quando o corpo está bem, a alma vem junto. 

Se existem programas para deixar um corpo sarado, por que não cuidar também da alma?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Feliz dia das mães


Mãe é uma identidade humana grudada em Deus, pois exerce a modo divino o jeito de criar, amar, cuidar. Mãe é uma vida, uma história, um nome que vive acordado dentro da gente.  Mãe oferece um amor gratuito feito bênção. Muitos vão dizer que celebrar o Dia das Mães é apelo comercial, porém as estradas estão cheias de gente indo, os almoços preparados, presentes escolhidos, casas reencantadas de presenças filiais, túmulos novamente floridos, músicas dedicadas, e muita gente reunindo histórias.

Mãe tem este inocente jeito de amar onde os sentimentos não são vagos, mas onde o amor é encarnado e incondicional. Desprendida, natural, paciente, silenciosa, chora e ri deste jeito filial de chegar partindo.  Mãe não representa o amor como numa novela, mas é o próprio amor em seu jeito mais natural na tela de nossa vida. Mãe tem este jeito onde o humano se transcende, uma energia interior onde o amor sempre está ali. Mãe é a nossa casa verdadeira, e quando ela se vai é como se andássemos pelo mundo buscando o lar perdido. E quando ela ainda está viva voltamos sempre à sua morada para descansar lá dentro, num imenso colo.

Mãe é aquela que revela o jeito de amar como um estado de ser, por isso não se cansa de fazer. Suas palavras soam em nós como um mantra repetitivo e necessário: Não se esqueça de levar agasalho! Tomou seu remédio? Arrumou sua cama?  O almoço tá na mesa! Fez o dever de casa? Não saia sem documentos! Colocou o relógio para despertar? Tomou banho? Não perca a hora de ir para a escola!  Vai quando visitar seus avós? Não seja malcriado! Deus te abençoe! Ah! Estas palavras soam como a batida de seu coração ao ritmo dos cuidados diários.

Mãe tem este jeito simples onde a santa simplicidade armou tenda numa experiência profunda: amar é dar-se. Mãe marca plantão na cozinha temperando com vida um alimento que não encontramos em lugar nenhum. Ela vive o que o Evangelho diz ser sal da terra e luz do mundo. O Dia das Mães não é para os que compram nas Casas Bahia, o Dia das Mães é para os que celebram!  Às Mães nossas preces, as nossas mais belas orações que brotam de corações agradecidos.

Feliz Dia das Mães!

Frei Vitório Mazzuco

terça-feira, 9 de maio de 2017

Francisco de Assis, uma experiência cristã


Esta obra é muito importante para o conhecimento de São Francisco de Assis. Toda Ordem Minorítica, seu nascimento e seu desenvolvimento, tornam-se uma apologia da ação de Deus na história. Assim, a reflexão hagiográfica se configura como uma sólida confirmação da validade do próprio percurso e da própria identidade religiosa; contudo, marca também uma precisa linha de leitura da experiência original de Francisco, que encontra na sua Ordem sua máxima expressão e as premissas de sua continuidade.

Sob esta comum consciência, permanecem totalmente abertas as perguntas que, no decorrer dos séculos, dividirão os Menores quanto aos termos com os quais observar fielmente e perpetuar o próprio modelo; mas sem que por isso se comprometa a convicção de que um fio ininterrupto partira da opção de Francisco de Assis e continuava a se desenvolver no tempo e no espaço graças à obra de todos os que tinham seguido e seguiam seu ensinamento.

Para saber mais leia: Francisco de Assis, Realidade e memória de uma experiência cristã, CFFB, Petrópolis, 2004.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Francisco orante


Imagem: Lodovico Carracci - São Francisco em meditação

Frei Vitório Mazzuco

O modo orante de Francisco de Assis pode inspirar a oração que brota da nossa intimidade. Nada melhor que buscar um testemunho das Fontes Franciscanas para este jeito de orar: “Francisco, homem de Deus, corporalmente distante do Senhor, lutava para manter o espírito presente no céu; e, já feito concidadão dos anjos, somente a parede da carne o separava. Toda a sua alma tinha sede do seu Cristo, ele lhe dedicava não só todo o coração, mas também todo o corpo.

Relatamos umas poucas maravilhas das suas orações a serem imitadas pelos pósteros, o quanto vimos com nossos olhos. Conforme é possível transmitir a ouvidos humanos. Fazia de todo tempo um ócio santo, para gravar a sabedoria no coração, para não parecer que fracassava, caso não progredisse. Se por acaso as visitas dos seculares ou quaisquer negócios o surpreendiam, interrompendo-o antes de terminar, ele voltava novamente às realidades interiores (...).

Sempre procurava um lugar escondido em que pudesse unir a seu Deus não só o espírito, mas também cada membro. Quando era subitamente agraciado em público pela visita do Senhor, para não estar sem cela, fazia do manto uma pequena cela. Muitas vezes, faltando-lhe o manto, para não revelar o maná escondido, cobria o rosto com a manga. Sempre interpunha algo aos presentes para que não conhecessem o toque do esposo, de modo que, inserido entre muitos no estreito espaço de um navio, rezava sem ser visto. Finalmente, não podendo nada destas coisas, fazia do peito um templo (...).

Estas coisas em casa. Mas, rezando nas florestas e nos lugares solitários, enchia os bosques de gemidos, banhava os lugares de lágrimas, batia com a mão no peito e aí, encontrando como que um esconderijo mais oculto, conversava muitas vezes com palavras com seu Senhor. Aí respondia ao Juiz, suplicava ao Pai, conversava com o Amigo, divertia-se com o Esposo (...)Muitas vezes, com os lábios imóveis, ruminava interiormente e, arrastando para o interior as realidades exteriores, elevava o espírito às superiores. Assim, totalmente transformado não só em orante, mas em oração, dirigia toda atenção e todo afeto a uma única coisa que pedia ao Senhor” (2 Cel 94).

Podemos concluir de olho nas Fontes que a oração de Francisco é uma oração que envolve corpo, mente, alma e coração. É ocupar o tempo com a sabedoria do coração. Uma total concentração para não perder o instante da visita do Senhor e o estado de enlevo. É a busca do lugar escondido e solitário para estar melhor no comum. É o toque do Esposo, a conversa com o Amigo e a resposta ao Juiz. É fazer do peito um templo! Homem feito oração.

terça-feira, 25 de abril de 2017

FRANCISCO E A HUMILDADE


De um modo preciso e brilhante, Tomás de Celano narra como Francisco de Assis propunha a humildade: “A humildade é a guarda e beleza de todas as virtudes. Não sendo ela colocada como fundamento da estrutura espiritual, quando esta parece crescer, avança para a ruína. A humildade, para nada faltar ao homem ornado com tantas graças, o cumulara com mais copiosa fecundidade. Na verdade, segundo a sua própria reputação, ela nada era, a não ser um pecador, quando na realidade era a beleza e esplendor de toda espécie de santidade. Na humildade, ele se esforçou por edificar a si mesmo, para que à base estivesse o fundamento que aprendera de Cristo (...)  Nele  prevaleceu somente uma cobiça: tornar-se melhor, de modo que, não contente com as primeiras virtudes, acrescentava-lhes novas.

Era humilde no modo de ser, mais humilde no sentimento, humílimo na própria reputação. Não se percebia que o príncipe de Deus era um prelado, a não ser por esta claríssima pedra preciosa, porque estava presente como o mínimo entre os menores. (...) Estava longe de sua boca toda altivez, longe de seus gestos toda pompa, longe de seus atos toda soberba.

Aprendera por revelação o sentido de muitas coisas; discutindo-as diante de todos, antepunha às suas opiniões, as opiniões dos outros. Acreditava que o parecer dos companheiros era mais seguro e que o modo de ver alheio era melhor do que o próprio. Dizia que não deixara tudo pelo Senhor aquele que retinha as bolsas do próprio modo de pensar” ( 2Cel 140 ).

A humildade e a paciência são as rainhas das virtudes. Como a raiz da palavra de onde surgiu, a humidade é escondida e fecunda como o húmus. É o alicerce de reconstrução das ruínas. É o terreno fértil onde são semeadas novas virtudes. É modo de ser, sentimento que que se entrega, identidade que se revela se forçar. É minoridade. É renúncia de ostentação. É fazer valer a verdade do outro. É não ser narcisista na atuação, na pregação, na ação de guiar um grupo ou estar à frente de uma determinada tarefa. A humildade se esconde, e deixa que falem as obras.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 18 de abril de 2017

SÃO FRANCISCO E A SIMPLICIDADE


Diz Tomás de Celano: “O santo, com o mais desvelado empenho, pretendia trazer em si e amava nos outros a santa simplicidade, filha da graça, irmã da sabedoria, mãe da justiça (...) Esta é aquela simplicidade que se gloria no temor de Deus, que não sabe fazer ou dizer o mal. Esta é a que, examinando a si mesma, não condena ninguém com seu julgamento e que, entregando ao melhor o devido exercício do poder, não busca nenhum poder (...) Esta é a que, em todas as leis divinas, deixando aos que hão de perecer os circunlóquios prolixos, o ornato e preciosismos de estilo, ostentações e curiosidades, busca não a casca, mas a medula, não o invólucro, mas o núcleo, não muitas coisas, mas o muito, o sumo e estável bem. O santíssimo pai buscava-a nos irmãos letrados e leigos, não acreditando que ela fosse contrária, mas verdadeiramente irmã da sabedoria, conquanto fosse para os pobres de ciência mais fácil de ter e mais pronta para praticar” (2Cel 189).

O simples entra na familiaridade de tudo, parece ter a consanguinidade de todas as relações. Francisco coloca a simplicidade como filha, irmã e mãe. Aquela que não precisa ficar só vendo o mal e condenando a tudo e a todos. A simplicidade, assim como a humildade renuncia o status do poder, por isso é irmã da minoridade. O simples é imediato, profundo, vai na essência. Não precisa de verborreia. Em vez de dizer que gosta do “precioso fruto da esposa do cantor do dia”, diz simplesmente que come ovo. O simples não entra na vaidade muito presente no mundo acadêmico, mas renuncia também o status de quem sabe para revelar a sabedoria que vem dos que não complicam a vida.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

segunda-feira, 3 de abril de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E OS MOVIMENTOS FRANCISCANOS

São Francisco de Assis tem uma história expressiva entre os acontecimentos de dois mil anos de franciscanismo. Muitos livros escritos sobre ele não esgotam a sua trajetória de vida e sua vitalidade que atravessa oito séculos. Ele fundou três Ordens, uma delas com a inspiração de Clara de Assis, e seus seguidores e seguidoras tornaram-se numerosos no Ocidente e no Oriente. A sua original proposta de retorno à pureza original do Evangelho e os rumos que estas Ordens tomaram não foi algo tranquilo.

Este livro procura analisar as características e perspectivas da experiência religiosa de Francisco de Assis e como os seus primeiros companheiros absorveram esta experiência. Sua Ordem e sua figura única e necessária foram a inspiração para muitos movimentos que daí nasceram. A questão é saber se conseguiram ser fiéis ao que registram seus Escritos e Fontes. Há um Francisco real e um Francisco construído no imaginário de muitos, e nos diversos “usos” que  fazem dele.

O Espírito de Assis transborda o mundo. Um Papa escolhe o seu nome. Ele é o nome da Pobreza, da Paz e do Planeta. Francisco de Assis é uma identidade espiritual e religiosa e gerou uma forte Fraternidade com este rosto: “A quem lhes perguntar de que profissão, de que regra, de que Ordem vós sois, respondei assim: Somos da primeira e principal regra da religião cristã, ou seja, do Evangelho, que é fonte e princípio de todas as regras”.

Querem saber mais? Leiam esta obra magnífica de Giovanni Miccoli, FRANCISCO, o santo de Assis na origem dos movimentos franciscanos, Martins Fontes/Selo Martins, São Paulo, 2013.

FREI VITÓRIO MAZZUCO

terça-feira, 28 de março de 2017

Francisco de Assis e a alegria espiritual


Na segunda vida de Tomás de Celano temos o relato: “Este santo afirmava que o remédio mais seguro contra as mil insídias e astúcias do inimigo é a alegria espiritual (...) O demônio exulta, acima de tudo, quando pode surrupiar ao servo de Deus a alegria do espírito. Ele leva um pó que possa jogar, o mais possível, nas pequenas frestas da consciência e sujar a candura da mente e a pureza da vida. Mas, quando a alegria espiritual enche os corações, em vão a serpente derrama o veneno letal (...) Quando, porém, o espírito está choroso, desolado e tristonho, é facilmente absorvido pela tristeza ou levado a alegrias vãs. Por conseguinte, o santo esforçava-se por manter-se sempre na alegria do coração, por conservar a unção do espírito e o óleo da alegria. Com o máximo cuidado evitava a péssima doença da tristeza, de modo que, quando a sentia a penetrar na mente, ainda que um pouquinho, corria o mais depressa possível à oração” (2Cel 125).

Numa marchinha de carnaval antiga, pedia-se que o guarda colocasse para fora do salão quem jogasse pós de mico na alegria dos outros. O demônio, isto é, a contrariedade da vida, a encarnação do espírito do mal em alguns detalhes da vida, gosta de sujar a serenidade. Nós gostamos de jogar o pó da negatividade na fluência natural da vida. Levantamos com notícias tristes e trágicas e deixamos que elas sejam a opaca lente de nosso olhar. No café da manhã trocamos receitas de psicotrópicos; almoçamos fazendo uma atualização das mortes acontecidas; jantamos notícias de uma cidade alerta contra um onipresente perigo. Vemos o mal no porteiro, na cuidadora, no rapaz que veio instalar a Net, no cachorro da vizinha e em todas as comidas que saboreamos porque acreditamos que tudo faz mal! Se damos espaço a isso sufocamos a alegria espiritual.

Francisco nos ensina que diante da doença, da tristeza, possamos correr o mais depressa possível à oração. Dividir preocupações de um modo orante é o salmo da cura em meio a tormentos. Almas que rezam têm a serena alegria dos que confiam. Na oração do salmista tem sempre uma saída para as tristezas do mundo. Alegria vã é alegria vazia. Os vãos são espaços vazios que precisam ser preenchidos. Que tal encher o vazio com preces?

FREI VITÓRIO MAZZUCO

Imagem do artista plástico carioca Vagner Aniceto/http://www.vagneraniceto.com.br

sexta-feira, 17 de março de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E DE JESUS

Francisco é o cristão canonizado com o maior acervo bibliográfico. Este livro propõe mostrar Francisco de Assis como uma testemunha qualificada de conformidade a Jesus Cristo. Para Francisco, o Evangelho não é um livro de leitura e consulta, mas uma aventura na qual entramos. É “Vem, e segue-me!” e não "Toma e lê!”. Francisco está inteirinho nesta diferença.

O livro quer mostrar como Francisco revela a humanidade de Jesus Cristo. O autor é um frade capuchinho, ex-provincial de sua Ordem. Mostra com clareza o espírito franciscano e convida-nos a compreender o que deve ser a preocupação com a exclusão, qualquer que seja a forma. O autor nos mostra que o Evangelho de Jesus Cristo é um apelo, em nome de Deus que é o “Pai de toda humanidade”, a instaurar um novo tipo de relações humanas, mais do que viver a pobreza.

Um livro necessário para a Espiritualidade! Leia: Francisco de Assis e de Jesus, de Marie-Abdon Santaner, Edições Loyola, São Paulo, 1984

FREI VITÓRIO MAZZUCO